18 de 101 – A Fatia de Mussarela* que Mudou Minha Vida

A Fatia de Mussarela* que Mudou Minha Vida

*NOTA DA REDAÇÃO: Sim, a gente sabe que, pelas regras gramaticais, o correto seria escrever muÇarela, mas a gente decidiu apelar para a liberdade poética e usar a muSSarela com S aqui porque, afinal, essa muSSarela faz muito mais suceSSo =)

Aos 13 anos de idade eu consegui o meu primeiro emprego, como entregador de salgados em uma lanchonete no centro de Ribeirão Preto, interior de São Paulo.

As pessoas dos prédios vizinhos ligavam para a lanchonete, faziam seus pedidos, e eu entregava a pé, nos escritórios próximos, e ganhava 180,00 por mês para isso.

Em 1997 o salário mínimo estava em 120,00, e eu ganhava um pouquinho mais.

Em poucos meses eu já havia sido promovido a balconista, com um salário agora de 235,00. Estava animado e me esforçava pra caramba pra ser o melhor em tudo o que eu fazia.

Eu havia recém chegado do Pará, e era alvo de piada por todo mundo, com brincadeiras preconceituosas sobre nordestinos, apesar do Pará ficar no norte do país.

Eu não tinha um grande senso de humor na época, mas tinha uma imensa vontade de vencer.

A essa altura eu já havia passado 3 dias nas ruas de Brasília e morado de favor na casa de uma alma generosa que mal me conhecia, em Ribeirão Preto, antes de conseguir esse emprego.

Eu tinha que ser o melhor. Eu tinha que vencer.

Mas foi em um feriado de 1998 que eu descobri que seria um empresário, quando fui escalado para abrir a lanchonete junto com o filho do dono.

Enquanto eu esfregava o chão imundo da lanchonete, ainda com as portas fechadas às 6h da manhã, o filho do dono da lanchonete comia seu X-Tudo matinal, aquele com salsicha, ovos, bacon, hambúrguer, queijo e presunto.

Quando terminei de arrumar tudo, abri a lanchonete e ele veio para o balcão. Era a minha vez de tomar café. 😉

Era um beneficio da lanchonete que tomássemos café e almoçássemos por lá.

Eu já estava “varado” de fome, ou como dizem os Paraenses, eu estava “na broca”.

Fui até a cozinha e preparei o meu pão com manteiga e uma fatia de mussarela. Peguei meu café com leite e comi tudo apressadamente, pois eu deveria voltar ao meu posto.

O filho do dono entrou na cozinha rapidamente para pegar alguma coisa, me viu preparando o café, falou alguma coisa e voltou para o balcão.

Quando terminei e fui para a frente da lanchonete, ele me disse a seguinte frase:

“Giordano, o café que damos aos funcionários é apenas pão com manteiga, não é permitido colocar Mussarela. Caso queira, vai ter que pagar pelo queijo”.

Na hora, meu sangue subiu.

Veio à minha mente a imagem daquele X-Tudo monstruoso que o rapaz comia todas as manhãs, com Coca-cola.

Pensei em todas as vezes que peguei o ônibus quando ainda estava escuro, para poder chegar ao trabalho às 6h… Na pressa em comer o pão com uma única fatia de mussarela, para não deixar o balcão sozinho.

Olhei bem nos olhos dele e disse:

“Cara… vai para a puta que te pariu”.

E continuei meu trabalho, terminando de arrumar as coisas para que a lanchonete estivesse 100% funcional.

Ele esperou que eu terminasse… e então me pediu que fosse para casa.

Me lembro de ter me preocupado com o fato de ele ficar sozinho na loja naquele dia, mas ele disse que não tinha problema.

Voltei depois do feriado, apenas para ser demitido.

Peguei o dinheiro da minha demissão e voltei para casa a pé naquele dia, um caminho de, mais ou menos, 8 km.

E foi nessa caminhada que eu decidi que seria empregado apenas o tempo suficiente para montar o meu próprio negócio.

Decidi também que, um dia, eu teria funcionários, e que todos eles poderiam comer o que quisessem na empresa. Inclusive mussarela.

E hoje, praticamente 20 anos depois, eu vivo essa realidade. Meus funcionários podem abrir a geladeira e pegar o que quiserem, quando quiserem, sem nenhum tipo de censura.

De vez em quando eu passo por lá, na frente daquela lanchonete, e me lembro do dia em que uma fatia de mussarela me ajudou a definir o meu destino.

Algumas vezes passamos por situações que parecem ser o fim do mundo.

Éramos apenas minha mãe e eu para pagar as contas, e meu salário faria falta. Me senti humilhado e perdido, e durante muito tempo eu me peguei desejando que acontecessem coisas ruins com o rapaz do X-Tudo.

Mas hoje, olhando para trás, vejo que aquele episódio foi uma das melhores coisas que me aconteceu na vida.

Foi ali que eu decidi o meu futuro. Foi ali que eu comecei a viver o que hoje eu uso conscientemente, que são os 3 princípios para transformar ideias em realidade:

1 – Saber exatamente o que quer
2 – Foco absoluto
3 – Obstinação extrema

Eu falo mais sobre isso nesse livro aqui: Mais do Que Ideias – 3 Passos Simples Para Transformar Ideias em Realidade

As lições que ficam nessa história para nós são:

• Nunca humilhe um garotinho com fome. Se não for por bondade, que seja por inteligência. Você não sabe quem ele será no futuro.

• Não tenha medo de ser quem você é, mesmo que isso te leve a perder algo que parece importante pra você agora, como um emprego, por exemplo. O futuro reserva coisas superiores para quem tem coragem.

• Insista até que a realidade que você vê aconteça. Eu tentei empreender várias vezes, desde os 15 anos, mas minha visão se tornou em realidade só agora, com 32 anos de idade. Valeu a pena insistir.

• A injustiça existe em todos os lugares e com todas as pessoas. O que você faz com isso é que muda o jogo. Não se faça de vítima, vire a mesa e decida vencer.

Espero que essa história inspire você a chegar onde você deseja e merece estar.

Um grande abraço e VAMO PRA CIMA!

Giordano Narada
maisdoqueideias

 

Giordano Narada

Giordano Narada é empresário, criador da maisdoqueideias, acredita que ideias são sementes de realidade. Idealizador de diversos treinamentos onlines, tem ajudado centenas de pessoas a construir renda a partir da Internet começando do zero, defendendo a ideia de que qualquer pessoa pode empreender se tiver apenas dois elementos simples: Vontade e Informação.

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