10 coisas que aprendi com O Lado Difícil das Situações Difíceis

Estou lendo um livro chamado O Lado Difícil das Situações Difíceis (The Hard Thing About Hard Things) de Ben Horowitz, e esbarrei na história inusitada de como ele conheceu sua esposa. Com essa história aprendi 10 coisas que decidi compartilhar com você.
Leia a história, é bem curtinha, e no final veja meus 10 comentários sobre as 10 lições de empreendedorismo e de vida que aprendi com essa história. Vai valer a pena. 🙂

 

No verão de 1986, terminei o segundo ano de faculdade na Columbia University. Morava com meu pai em Los Angeles. Claude Shaw, um amigo e colega do time de futebol americano do ensino médio, marcou um encontro com a namorada dele, Jackie Williams, e com Felicia Wiley, para me conhecer, sem falar comigo antes. Claude e eu preparamos um jantar especial. Planejamos tudo meticulosamente. Passamos o dia inteiro cozinhado e, às 7 da noite, horário combinado, a refeição, incluindo quatro chuletas perfeitamente apresentadas, estava pronta, mas as meninas não chegaram. Uma hora depois, ainda não estávamos preocupados, pois Jackie era famosa por seus atrasos. Porém, às 9 horas, Claude ligou para saber o que estava acontecendo. Olhando para o jantar gourmet que havíamos preparado, já completamente frio, ouvi decepcionado o que Claude disse: Felicia, que vinha me conhecer, alegou estar “muito cansada” para ir ao encontro. Que chato!

Pedi a Claude que me passasse o telefone. Apresentei-me: “Oi. Aqui é o Ben, que você vinha conhecer.”

Felicia: “Me desculpe, mas estou cansada e já é tarde.”

Eu: “Bem, já é tarde porque vocês estão atrasadas.”

Felicia: “Eu sei, mas estou cansada demais para ir.”

Decidi então apelar para a compaixão: “Entendo, mas você devia ter dito isso antes de passarmos o dia inteiro preparando o jantar. A essa altura, se você não entrar no carro imediatamente e não vier para cá, isso será seinal de falta de educação e deixará uma impressão muito ruim.”

Se ela fosse totalmente egocêntrica (como parecia), minha súplica não teria nenhuma efeito e eu não perderia nada caso o encontro não acontecesse. Mas, se ela não quisesse causar má impressão, talvez daquele mato saísse algum coelho.

Felicia concordou: “Tudo bem, eu vou.”

Noventa minutos depois, ela chegou de shortinho branco e bonita como sempre. Na expectativa do encontro, esqueci completamente a briga em que havia me metido no dia anterior. Num jogo informal de basquete em San Fernando Valley, um jogador de 1,85 metro, corte de cabelo mitiar, calças de soldado e pinta de membro de fraternidade universitária atirou a bola no meu irmão. Jonathan era músico, usava cabelo comprido e, na época, pesava uns 70 quilos. Eu, por outro lado, acostumado com o futebol americano e com as brigas de rua, estava sempre pronto para a ação. Analisei a situação de acordo com minha primeira impressão e parti para cima do soldadinho. Seguiu-se um pequeno tumulto. Acertei alguns socos nele, mas também tomei um gancho de direita embaixo do olho esquerdo que deixou um pequeno hematoma. É possível que meu adversário não estivesse hostilizando meu irmão, apenas se vingando de uma falta mais dura, mas jamais saberemos. Esse é o preço que pagamos ao não parar para entender algo que está acontecendo.

Seja como for, quando abri a porta para cumprimentar nossas visitas, os premiados olhos verdes de Felicia se fixaram imediatamente no roxo debaixo do meu olho. Sua primeira impressão (ela me contou anos depois) foi: “Esse cara é um bandido. Foi um erro ter vindo.”

Felizmente, nem eu nem ela confiamos em nossas primeiras impressões. Somos casados e felizes há 25 anos e temos três filhas maravilhosas.

O que aprendi com essa história:

1 – Grandes oportunidades podem surgir de lugares inesperados

2 – Mesmo que eu não tenha concordado com algo em princípio, se eu aceitei fazer, que seja 100%, como se a ideia sempre tivesse sido minha

3 – Quando as coisas estão saindo do controle, eu devo assumir as rédeas e não terceirizar a responsabilidade (sobre Ben ter pego o telefone da mão do amigo)

4 – Se eu quiser realmente uma coisa, devo utilizar todas as armas que eu tenho (sobre os argumentos quase apelativos de Ben para convencer a garota a vir para o jantar)

5 – Devo valorizar o meu trabalho e o meu esforço (Você devia ter dito isso antes de passarmos o dia inteiro preparando o jantar)

6 – Atitudes impensadas (a briga sem sentido) podem gerar consequências (o olho roxo) que podem, por sua vez, comprometer grandes oportunidades no futuro (a primeira impressão por causa do olho roxo poderia ter acabado com o encontro que resultou em casamento)

7 – Não devo aceitar um NÃO como resposta para algo que eu quero, a menos que eu tenha certeza de que fiz TUDO o que eu podia fazer para alcançar o resultado esperado

8 – Não devo confiar nas minhas primeiras impressões

9 – Sempre devo me preocupar em causar uma boa primeira impressão, porque nem sempre temos tempo ou oportunidade de causar uma segunda boa impressão

10 – Uma pequena história pode conter muitas lições importantes para a vida

 

 

 

Giordano Narada

Giordano Narada é empresário, criador da maisdoqueideias, acredita que ideias são sementes de realidade. Idealizador de diversos treinamentos onlines, tem ajudado centenas de pessoas a construir renda a partir da Internet começando do zero, defendendo a ideia de que qualquer pessoa pode empreender se tiver apenas dois elementos simples: Vontade e Informação.

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